O Seminário é uma instituição da Igreja, onde o garoto ou jovem que já tem um certo desejo de ser padre vai conviver com outros colegas que têm esse mesmo desejo, para conhecer mais profundamente a Vocação Sacerdotal e, assim, fazer uma Opção (escolha) mais consciente e livre. Os que decidirem ser Padres terão a sua caminhada de formação acompanhada por uma equipe de Sacerdotes, sob a orientação do Bispo Diocesano ou do Superior da sua Congregação. Os que não quiserem ser padres continuarão a sua caminhada cristã engajados nas Comunidades de onde vieram. Os Seminários eram conhecidos como Seminários Menores e Seminários Maiores. Nos Seminários Menores são recebidos garotos que compreendem o nível de estudos da 5.a série do 1.º grau até à 3.a série do 2º grau, na faixa de idade dos 11 aos 18 anos mais ou menos. Os Seminários Maiores compreendem os Cursos de Filosofia (3 anos) e de Teologia (4 anos), cursados depois do 2.º grau e na faixa de idade média de 18 a 25 anos.
Endereço: Avenida José Pereira Lopes, nº 386 – Vila Prado
CEP: 13574-380 – São Carlos – SP
Reitor: Padre Cassiano Vogel Parizzotto
Diretor Espiritual: Padre Leonardo Bento
Endereço: Rua Émerson José Moreira, nº 1510/32 – Chácara Primavera
13.087-441 – Campinas, SP
Reitor: Padre Marcos Eduardo Coró
Diretor Espiritual: Padre Tiago Henrique André
No Estado de São Paulo, na década de 1930, existiam apenas Seminários Menores em Campinas, Botucatu, Taubaté e Pirapora. Essas dioceses possuíam seus próprios padres, enquanto, em nossa Diocese, a maioria dos sacerdotes era estrangeira.
Na cidade de São Carlos, por exemplo, havia, à época, onze padres portugueses e apenas três brasileiros: o Padre Ruy Serra, o Bispo Dom Homem de Mello e Dom Gastão Liberal Pinto, Bispo Coadjutor. Tornava-se, portanto, urgente formar o próprio clero diocesano de São Carlos.
Houve então um grande trabalho de promoção vocacional e de recrutamento para a formação sacerdotal, conduzido pelos vigários e pela Obra das Vocações Sacerdotais — instituição cuja existência era obrigatória em todas as paróquias, por decreto de Dom Homem de Mello, que havia se tornado Bispo Diocesano.
Até o ano de 1934, os candidatos da Diocese ao Seminário Menor eram enviados a Pirapora, onde funcionava o Seminário Menor da Arquidiocese de São Paulo, sob a orientação dos Cônegos Premonstratenses Belgas.
A primeira ideia de Dom Gastão era construir o seminário em Jaú, mas a opção mais viável acabou sendo São Carlos. No início de 1935, o Padre Ruy Serra, então diretor do Ginásio Diocesano (hoje pertencente aos Irmãos Lassalistas), conseguiu, com o apoio do Bispo Dom Gastão e a colaboração do Monsenhor Alcindo Alves Siqueira, lançar a primeira semente do que seria o Seminário Menor Diocesano de São Carlos.
Foram reservadas duas salas no Ginásio Diocesano para abrigar os meninos que desejassem ser padres: uma sala para dormitórios e outra para estudos. A primeira turma contou com doze alunos, dos quais nenhum chegou a se tornar sacerdote.
Os seminaristas participavam das aulas regulares (admissão e séries ginasiais) e recebiam alimentação do próprio Ginásio Diocesano. Além disso, tinham estudos complementares de Português, Latim e Grego, sob a orientação do Monsenhor Alcindo, que era, no início, o único responsável pelo nascente seminário.
Contudo, para oferecer uma formação sacerdotal mais adequada, conforme as exigências da época, era necessário ter um espaço próprio. A Diocese já possuía o terreno, ao lado do Ginásio Diocesano — uma chácara comprada dos herdeiros do Major José Inácio por 35 contos de réis. Faltava, porém, construir o prédio.
Dom Gastão obteve 30 contos de réis de uma benfeitoria, e o Padre Ruy Serra acrescentou mais 20 contos, provenientes do saldo acumulado do Ginásio Diocesano. Assim foi erguida a primeira parte do Seminário Menor: um dormitório, ao lado da capela. Aos poucos, com os saldos do Ginásio, foram sendo construídos os banheiros, a sala de estudos, outro dormitório, o pavilhão de entrada com reitoria, sala de visitas e salas de aula.
Tudo isso foi edificado entre o final da década de 1930 e o início da década de 1940. Logo que Dom Ruy tomou posse como Bispo Diocesano, em 1948, os seminaristas passaram a ter aulas no próprio seminário.
Em maio de 1950, foi feito um rebaixamento no porão da sala de estudos, onde se construíram o refeitório e a cozinha. A partir de 1951, os seminaristas começaram também a fazer as refeições no próprio seminário, tornando-o, assim, independente do Ginásio Diocesano.
Durante todo esse período, ao concluírem o Seminário Menor, os seminaristas eram enviados para cursar Filosofia e Teologia, sucessivamente, no Seminário Central do Ipiranga (em São Paulo), em Aparecida do Norte, Belo Horizonte ou Diamantina (MG).
Somente em 1968 foi criado o curso de Filosofia em São Carlos, funcionando inicialmente no prédio do Seminário Menor. No ano seguinte, foi inaugurado o prédio próprio do Seminário Maior Diocesano (Curso de Filosofia), ao lado do já existente Seminário Menor. Muitos seminaristas de outras dioceses também cursaram Filosofia em São Carlos.
Nos anos seguintes, foram construídos um novo refeitório, uma copa-cozinha e realizada a reforma de um antigo galpão, destinado a abrigar promoções culturais e festivas.
Com a mudança de orientação da Igreja sobre o recrutamento vocacional e a formação sacerdotal, diante das transformações do mundo, o Seminário Menor foi deixando de receber alunos para as séries do 1º e 2º graus. Atualmente, os poucos alunos do ensino médio que estudam no Colégio Diocesano — e recebem complementação de estudos no Seminário — passaram a residir junto aos alunos do Curso de Filosofia, ficando desativado o prédio do antigo Seminário Menor.
Graças a todo esse trabalho, a realidade da Diocese de São Carlos hoje é muito diferente da vivida na década de 1930. O Seminário de São Carlos já formou mais de 140 padres, possuindo, assim, um clero majoritariamente próprio, auxiliado por algumas congregações religiosas.