Salvação cristã é tema da carta ‘Placuit Deo’ aos bispos da Igreja Católica

Da redação, com Boletim da Santa Sé A Congregação para a Doutrina da Fé enviou nesta quinta-feira, 1, uma carta

Da redação, com Boletim da Santa Sé

A Congregação para a Doutrina da Fé enviou nesta quinta-feira, 1, uma carta apostólica aos bispos da Igreja Católica, nomeada ‘Placuit Deo’, sobre a necessidade de aprofundamento da verdade de Deus e da salvação dos homens. O documento foi assinado pelo prefeito da Congregação, Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, e pelo secretário, Dom Giacomo Morandi.

Na carta, a revelação de Cristo é atrelada à revelação da verdade, sendo atribuída à Igreja a missão de, com amor, anunciar aos homens os desígnios de Deus. Papa Francisco é citado como referência junto a grande tradição da fé católica para a compreensão da salvação cristã diante das recentes transformações culturais vividas mundialmente.

Confira a íntegra
.: Carta Apostólica ‘Placuit Deo’

A tendência ao pelagianismo e o gnosticismo, por vezes discutidos pelo Santo Padre, foram apresentados como aspectos presentes na atualidade. O pelagismo, quando o homem radicalmente autônomo pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros, e o gnosticismo, apresentado em uma salvação meramente interior, fechada no subjetivismo.

Estes questionamentos, que vão contra a fé cristã e condicionam o homem a uma visão individualista de Jesus e da religião, têm centrado uma visão autônoma de salvação meramente interior. De acordo com a Congregação, este pensamento não basta, sendo a carta um convite para uma cura e renovação das relações com os outros e com o mundo, por meio da constatação de um Deus que se fez membro da família humana e assumiu a história da humanidade para a salvação.

Carta apostólica ‘Placuit Deo’/ Foto: Lizia Carla

“Como poderia Cristo mediar a Aliança da família humana inteira, se o homem fosse um indivíduo isolado, que se autorrealiza somente com as suas forças? E como poderia chegar até nós a salvação mediante a Encarnação de Jesus, a sua vida, morte e ressurreição no seu verdadeiro corpo, se aquilo que conta fosse somente libertar a interioridade do homem dos limites do corpo e da matéria?”, foram os questionamentos da Congregação.

As respostas para as perguntas e desejos humanos são encontrados, de acordo com a ‘Placuit Deo’, no desejo de salvação, no compromisso na direção de um bem maior que conserva característica de resistência e de superação da dor. Recordar que Jesus é Salvador é apontado como primeiro passo.

“Ele não se limitou a mostrar-nos o caminho para encontrar Deus, isto é, um caminho que poderemos percorrer por nós mesmos, obedecendo às suas palavras e imitando o seu exemplo. Cristo, todavia, para abri-nos a porta da libertação, tornou-se Ele mesmo o caminho (…), esse caminho não é um percurso meramente interior, à margem das nossas relações com os outros e com o mundo criado. (…) Cristo é Salvador porque Ele assumiu a nossa humanidade integral e viveu em plenitude a vida humana, em comunhão com o Pai e com os irmãos”, constatou a carta.

A partir desta constatação, a Igreja é creditada como o lugar onde o homem recebe a salvação trazida por Jesus. “Compreender esta mediação salvífica da Igreja é uma ajuda essencial para superar qualquer tendência reducionista. De fato, a salvação que Deus nos oferece não é alcançada apenas pelas forças individuais, mas através das relações nascidas do Filho de Deus encarnado e que formam a comunhão da Igreja”, observou.

Comunicar a fé e esperar o Salvador é segundo a ‘Placuit Deo’ a consciência da vida plena. “A salvação do homem será plena somente quando, depois de ter vencido o último inimigo, a morte (cf 1 Cor 15,26), participaremos plenamente da glória de Cristo ressuscitado, que leva à plenitude a nossa relação com Deus, com os irmãos e com toda a criação. A salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens. Fundamentados na fé, sustentados pela esperança, operantes na caridade, seguindo o exemplo de Maria, a Mãe do Salvador e a primeira dos que foram salvos”.

Papa Francisco aprovou a carta apostólica no dia 16 de fevereiro de 2018, que teve sua publicação decidida na Sessão Plenária da Congregação no dia 24 de janeiro de 2018.

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