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O que os bispos disseram ao Papa? Em entrevista, Dom Luiz Carlos Dias detalha aspectos da Audiência com o Santo Padre

O bispo diocesano de São Carlos e secretário do Regional Sul 1 da CNBB, Dom Luiz Carlos Dias, expressou ao

O bispo diocesano de São Carlos e secretário do Regional Sul 1 da CNBB, Dom Luiz Carlos Dias, expressou ao Papa Francisco a adesão do episcopado paulista à caminhada sinodal e, ao mesmo tempo, testemunhou o desejo comum de uma “conversão pessoal, pastoral e missionária”. Saiba o que os “sucessores dos Apóstolos” apresentaram ao “Sucessor de Pedro” em encontro na última quinta-feira, 29 de setembro.

 

AUDIÊNCIA

Entre os dias 26 e 30 de setembro, os bispos do Regional Sul 1 da CNBB participaram da Visita Ad Limina Apostolorum. A peregrinação “aos túmulos dos Apóstolos” teve seu ápice no encontro do episcopado paulista com o Papa Francisco. Em pouco mais de duas horas, vários aspectos foram abordados em um clima sinodal.

O bispo diocesano de São Carlos e Secretário do Regional Sul 1 da CNBB, Dom Luiz Carlos Dias, apresenta, nessa entrevista, aquilo que foi partilhado com o Pontífice. “Manifesto nossa grande alegria por esse encontro, uma gentileza do vosso coração de pastor que nos edifica”, disse. “Somos provenientes das Províncias Eclesiásticas de Campinas, Botucatu e Ribeirão Preto. As nossas dioceses estão no centro e norte do Estado de São Paulo, que também abriga o maravilhoso Santuário dedicado à Nossa Senhora Aparecida, bem conhecido por Vossa Santidade”, resgatou Dom Luiz.

 

O QUE OS BISPOS DISSERAM AO PAPA

  1. Estar com o Papa Francisco, em Audiência, por si só é motivo de grande alegria. Em especial, os bispos foram movidos por alguma intenção particular?

Dom Luiz – Naquela ocasião, desejamos renovar nossa profissão de fé em Jesus Cristo, Nosso Senhor, perante o sucessor de Pedro, “rocha firme sobre a qual foi edificada a Igreja”, e reafirmar a nossa comunhão no serviço da evangelização com Sua Santidade, que sob a condução do Espírito Santo, tem descortinado oportunidades para o anúncio do Evangelho em tempos de mudanças e desafios imensos.

 

  1. O Pontificado do Papa Francisco é marcado por muitos e inspiradores testemunhos. O senhor sublinhou esse “compromisso pastoral” do Pontífice em sua fala, não é mesmo?

Dom Luiz – Agradecemos a Deus pelo seu testemunho de “Servo dos Servos” na proximidade, no estilo de vida despojado, nas palavras e gestos que anunciam a misericórdia de Deus, nos esforços de diálogos e mediação de conflitos, no fomento da fraternidade na vida social, no empenho para a conservação da Casa Comum e defesa dos pequenos. Eis algumas atitudes e ações pessoais de Sua Santidade que emolduram um Pontificado renovador para a Igreja e indicativo para advento de uma nova humanidade fraterna e pacífica, ao transpor as turbulências hodiernas.

 

  1. Acerca da realidade das Províncias de Campinas, Botucatu e Ribeirão Preto, o senhor apresentou quais aspectos regionais ao Papa?

Dom Luiz – A nossa região é caracterizada por grande dinamismo econômico, mas sobressai o agronegócio, fonte de riqueza que ainda não concilia produção e proteção ambiental, além de oferecer poucos postos de trabalho aos deslocados da terra. A região possui eficiente infraestrutura instalada, a julgar por itens como a malha de transporte, os recursos para o tratamento de saúde, as condições sanitárias, o parque universitário e a tecnologia disponível.

 

  1. E sobre os habitantes dessa região, o que o senhor falou ao Papa?

Dom Luiz – A maioria das pessoas dessa grande área, vive e trabalha nas cidades, sobretudo nas maiores, onde facilmente se percebe a desigualdade que permeia nosso país e as relações sociais. Nesse sentido, estávamos às vésperas de eleições majoritárias no Brasil, então rezamos intensamente por eleições pacíficas e escolhas de representantes que fortaleçam o processo democrático e promovam condições de vida digna ao povo, em especial dos pobres.

 

  1. Aspectos da religiosidade também foram abordados?

Dom Luiz – Não obstante a prevalência da vida urbana, nossa gente conserva um rico patrimônio religioso e cultural, e temos a graça de contar com comunidades paroquiais vivas e fiéis participativos, mesmo nas cidades maiores. Todavia, nós Bispos pedimos a graça da conversão pessoal a cada dia, assim como da conversão pastoral e missionária das Dioceses sob nossa responsabilidade, para contribuirmos mais eficazmente para a edificação do Reino.

 

  1. Considerando o desejo de conversão, esse pensamento também se associa às conclusões do Sínodo, não é mesmo?

Dom Luiz – Nesse sentido, nos esperança a sinodalidade, já em curso com a mobilização expressiva dentre os discípulos e discípulas missionários das nossas comunidades, redesenhando o rosto eclesial com traços profundos e belos, emanados dos ensinamentos de nosso Mestre e Senhor e da prática das primeiras comunidades – a comunhão, a participação e o ardor pela missão.

 

  1. Algum compromisso assumido como resultado da Visita Ad Limina Apostolorum?

Dom Luiz – Nos comprometemos em levar avante esse processo (sinodal). E pedimos ao Papa: reze por nós!

 

Fotos: Vatican Media

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