O Dia da Criação

O Dia da Criação Padre Luiz Sleutjes O Dia Mundial de Oração pela Criação tem como motivação inicial refletir sobre

O Dia da Criação

Padre Luiz Sleutjes

 

O Dia Mundial de Oração pela Criação tem como motivação inicial refletir sobre a conscientização de todos os cristão e pessoas de boa vontade sobre a condição atual da vida e de que “Tudo está conectado” (Laudato SI`, n. 16). Neste sentido, faz-se importante ressaltar a estreita interação entre a espiritualidade cristã e as preocupações com a Casa Comum. Trata-se de um evento litúrgico, instituído pelo Papa Francisco desde 2015 a exemplo do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I que desde 1993 escreve uma Carta refletindo sobre a promoção e proteção da vida da Criação. O Papa Francisco, por ocasião da Conferência do Clima em sua 21 edição, escreveu uma Carta encíclica Laudato SI`, abordando a importância da Ecologia Integral e da responsabilidade humano na preservação da Terra como Casa Comum. Celebrar este dia busca integrar a Teologia com as preocupações ambientais ressaltando o papel do ser humano como promotor da sustentabilidade e da justiça ecológica integral.

Essa iniciativa retoma a Criação como um dom divino. Deus, em sua infinita bondade, empregou seu tempo e seu amor em tudo e em todos. Dessa forma, a Criação tem valor em si, não apenas pela sua utilidade ou estética. O ato criativo de Deus inicia um processo contínuo na história de guarda e de gerência da vida e, simultaneamente, entrega esta responsabilidade aos seres humanos. No decorrer da história, os processos de desenvolvimento romperam com a integralidade inicial entre ser humano/Criação. Atualmente, poucos são os que cuidam dessa relação. O ser humano e a Criação têm a mesma origem em comum, bem como o mesmo destino.

Quando nos deparamos com várias consequências climáticas do nosso tempo, acusa nossa consciência que a maneira como nos enxergamos a Criação e nos relacionamos com ela, não é satisfatória (cf. Laudato SI`, n. 25). Biomas degradados; águas contaminadas; florestas desmatadas; espécies extintas; pessoas abaixo da linha da miséria. Diante deste presente, o futuro é incerto. O Mundo não é um grande baú cheio de recursos intermináveis. Mas uma Casa Comum onde toda vida está interligada e interdependente. Cabe resgatarmos com urgência um estilo de vida que privilegie o cuidado atencioso e responsável com Terra e seus habitantes, a fim de enfrentar os desafios ambientais e resolver o empobrecimento do ser humano e, consequentemente, salvaguardar o legado das gerações futuras.

Essas reflexões nos chamam atenção para o cuidado com os vulneráveis (cf. Fratelli tutti, n. 18). A opção preferencial pelos empobrecidos aplica-se aqui. Há de se escutar, como um exercício de sinodalidade, o grito da Terra e dos nossos irmão e irmãs que sofrem. Trata-se de um processo empático de reconhecer a partir de nossa humildade e gratidão que os impactos das mudanças climáticas são desproporcionais, ou seja, atingem com mais intensidade e por primeiros os menos favorecidos. Ter consciência disso e ajudar é uma questão de justiça social que não deve ser atribuída apenas aos governos, mas é responsabilidade de cada pessoa e de suas escolhas. É esta mesma justiça social que nos orienta a relacionarmos com a Criação não numa atitude exploratória irresponsável, mas com cuidado e sustentabilidade.

Dessa maneira, é salutar a noção de arrependimento e mudarmos a rota do nosso estilo de vida a fim de transformarmos nossas relações, nossa compreensão do valor em si em toda Criação. Como consequência dessa nova postura, deixarmos de explorar excessivamente os bens naturais e comuns, contribuímos com criatividade e compromisso para um estilo de vida mais sustentável que permita a existência das próximas gerações de maneira mais saudável.

Surge desta Teologia Ecológica Integral uma nova compreensão da Criação: não é apenas algo inanimado que pode ser explorado, mas um dom divino, algo importante para nós hoje, do qual depende a nossa saúde, bem-estar, e, portanto, a nossa vida. Assim, tem-se uma solidariedade intergeracional, ou seja, a vida das próximas gerações depende de como vivemos nosso hoje.

Diante disso, celebrar o Dia de Oração pela Criação é uma tarefa pessoal e, ao mesmo tempo, comunitária em que nossas comunidades de fé, como agentes de conscientização, transformem em fonte e destino de oração toda e qualquer atitude de servir e preservar a Criação. Todos somos responsáveis por passos possíveis para o bem comum. Cada mulher e homem de fé, independente da sua religião ou cultura, do lugar onde mora e como habita, traz dentro de si essa responsabilidade de adotar um estilo de vida mais sustentável que favoreça a justiça ecológica integral no seu agora, na sua região, tendo em vista a melhoria da qualidade de vida desta e das próximas gerações.

Celebrar este Dia deve se converter em reavaliar nossas atitudes a fim de escolher outras que demonstrem nossa consciência de que a Terra é um presente precioso que pede nosso cuidado amoroso. Todos somos guardiões da Criação. É nossa responsabilidade unir nossos esforços para preservar sua beleza e vitalidade para as gerações vindouras. Cada ato de proteção à natureza é um voto de gratidão pelo mundo que recebemos e um compromisso com o legado que deixaremos. Trata-se de uma esperança ativa que prepara o presente para um futuro de paz.

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