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Mensagem da Pastoral da Ecologia Integral da Sub-região Campinas/Regional Sul 1 da CNBB para Campanha da Fraternidade de 2026

Irmãs e irmãos, Ao iniciarmos o tempo da Quaresma, tempo de conversão, escuta da Palavra e compromisso com a vida

Irmãs e irmãos,

Ao iniciarmos o tempo da Quaresma, tempo de conversão, escuta da Palavra e compromisso com a vida – a Igreja no Brasil nos convida à viver a Campanha da Fraternidade de 2026, que nos provoca a refletir e agir a partir do tema “Fraternidade e Moradia”. Não se trata apenas de um assunto social ou urbano, mas de um desafio profundamente humano, espiritual, ético e ecológico.

A CF-2026 traz a Palavra de Deus que nos recorda que “Ele veio morar entre nós”, lema escolhido. O Filho de Deus assumiu a fragilidade da condição humana e fez da moradia simples dos pobres o lugar da sua presença. À luz da fé cristã, a casa, o território e a cidade tornam-se espaços sagrados, onde a vida deve ser digna, cuidada, protegida e valorizada.

Entretanto, a realidade que nos cerca revela feridas profundas. As cidades que compõem a Sub-Região de Campinas, integrada pela Arquidiocese de Campinas e pelas Dioceses de Amparo, Bragança Paulista, Limeira, Piracicaba, Jaú e São Carlos, se encontram em uma rica região do Estado de São Paulo, mas que estão marcadas por uma profunda e injusta desigualdade.

Em nossas cidades e bairros, especialmente nas periferias humanas, encontramos pessoas em situação de rua, famílias vivendo em moradias precárias, ocupações sem infraestrutura urbana mínima e saneamento básico e comunidades inteiras expostas a enchentes, deslizamentos, contaminação e à insegurança permanente. Em muitas moradias ainda não chega água encanada e tratada e nem sempre o esgoto é coletado e tratado. Essas situações não são fruto do acaso, mas consequência de um modelo de sociedade que transforma a moradia em mercadoria e empurra os mais pobres para os territórios vulneráveis e invisibilizados.

À luz da Ecologia Integral, proclamada pela Laudato Si’, reconhecemos que não há cuidado com a Casa Comum sem justiça social. A crise da moradia é também uma crise ambiental, climática e ética. Os efeitos da degradação ambiental e das mudanças climáticas recaem, de forma desproporcional e injusta, sobre os pobres, os moradores das periferias e das áreas de risco, as pessoas em situação de rua e todos aqueles que já vivem em situações de fragilidade. Defender o direito à moradia digna é, portanto, defender a vida.

Por isso, a Campanha da Fraternidade deste ano nos chama a uma conversão concreta e comunitária. Somos chamados a repensar nossas cidades, nossos territórios, nossas escolhas pessoais e coletivas e como participamos da construção de políticas públicas. Moradia digna não é favor, é direito. Defender esse direito é expressão do Evangelho vivido e é sinal de uma fé encarnada na realidade, comprometida com a vida em sua totalidade e que não se omite diante das injustiças.

A Pastoral da Ecologia Integral convida todas as comunidades, pastorais, movimentos e cada pessoa a se envolver ativamente nesta Campanha: rezando e refletindo à luz da Palavra de Deus, escutando o clamor das pessoas e famílias mais vulneráveis, fortalecendo a solidariedade e a organização popular, articulando e participando das ações em defesa da moradia digna e cuidado com o territórios, acompanhando e propondo políticas públicas efetivamente que defendam a vida onde ela esteja mais ameaçada.

Que esta Quaresma e a CF-2026 nos ajude a transformar o gesto penitencial em compromisso concreto, a oração em ação transformadora e a esperança em caminho de justiça e fraternidade.

Nesse sentido, como pistas de reflexão, podemos nos questionar: quantas pessoas em situação de rua vivem em nossos territórios? Conhecemos suas histórias e os desafios que enfrentam? Quantas famílias sobrevivem em ocupações irregulares, em áreas de risco ou em moradias sem condições dignas? E, olhando para dentro de nossos próprios lares: como cultivamos o ambiente doméstico? Adotamos práticas sustentáveis, como o cuidado com plantas, a redução do consumismo, a reutilização, compostagem e/ou encaminhamento de resíduos para a coleta seletiva?

Essas perguntas podem nos despertar para olhar, escutar, conhecer os territórios, aprofundar a reflexão e nos mover em direção a uma atuação consciente e comprometida junto às pessoas e espaços que habitamos e os territórios que pisamos.

Cuidar da moradia é cuidar da nossa Casa Comum. Cuidar da nossa Casa Comum é cuidar das pessoas.

Como Igreja em saída, sejamos sinal de esperança nos territórios, testemunhando que é possível um outro modo de habitar as cidades, mais justo, solidário e acolhedor de todas as pessoas!
Que o Deus da Vida nos conduza neste tempo de graça, conversão e fraternidade.

Pastoral da Ecologia Integral da Sub-região de Campinas Do Regional Sul 1 da CNBB

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