Homilia de Dom Luiz Carlos por ocasião do Jubileu da Saúde

A Igreja celebra na memória de Nossa Senhora de Lourdes, o Dia Mundial do Doente, e em 2025 chega à

A Igreja celebra na memória de Nossa Senhora de Lourdes, o Dia Mundial do Doente, e em 2025 chega à 33ª edição desta celebração preciosa para a evangelização. No contexto deste Ano Jubilar, o lema escolhido pelo Papa Francisco é “A esperança não engana (Rm 5,5) e fortalece-nos nas tribulações”.

A vida, a saúde e a doença são realidades profundas, envoltas em mistérios. Diante delas, as ciências não se encontram em condições de oferecer uma palavra definitiva, mesmo com todo aparato tecnológico. As enfermidades, o sofrimento e a morte são realidades duras de serem enfrentadas, pois contrariam os anseios de vida e bem-estar do ser humano.

Em línguas antigas é comum um único termo expressar os significados de saúde e salvação. No grego soter é aquele que cura e ao mesmo tempo é o salvador. No latim, ocorre o mesmo com o termo salus. Tal convergência é reflexo da dura experiência existencial do doente, e da percepção da necessidade de ser curado ou salvo da moléstia que o debilita, pela ação de outrem. Por isso, os curandeiros de outrora, mas sobretudo os médicos estão entre os profissionais da mais alta apreciação na sociedade.

Mas podemos inferir que a convergência entre saúde e salvação (cura) em uma mesma palavra, faz alusão ao impacto profundo das enfermidades na vida humana. E em nenhuma outra ocasião como no sofrimento, nos damos conta que a esperança por excelência, vem do Senhor, como um dom a ser acolhido que testemunha a fidelidade de Deus que ama cada um dos seus filhos e filhas.

Nos Evangelhos, encontramos na pessoa de Jesus Cristo e em seus gestos e palavras, o médico dos médicos, que cura o ser humano de modo integral, tanto no corpo quanto no espírito. No trecho de Lucas que ouvimos hoje, Jesus se apresenta como o ungido de Deus, enviado para inaugurar um tempo de liberdade e vida, incluindo a libertação dos cativos e a cura das várias moléstias. Anúncio que alude à chegada de uma força capaz de vencer os males que roubam sonhos e vidas.  Esse é o anúncio é atualizado no ano Jubilar que celebramos ao longo de 2025.

É sobretudo do seu mistério pascal ou na sua entrega na cruz e ressurreição que advém uma esperança inquebrantável para o ser humano, na cruz os males são efetivamente vencidos e não mais têm poder sobre a vida. Eis nossa “grande esperança” da qual derivam todos os outros raios de luz com que se podem ultrapassar as provações e os obstáculos da vida (cf. Bento XVI, Carta enc. Spe salvi, 27.31).

Além disso, o Ressuscitado se faz caminheiro conosco, como experimentaram os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-53). E com Ele podemos partilhar as nossas perturbações, preocupações e desilusões, sermos iluminados pela sua Palavra e reconhecê-Lo ao partir o Pão, o que nos proporciona coragem e confiança, e nos restituiu a esperança que fortalece, inclusive para as tribulações.

A enfermidade aponta para a igualdade, atingem a todos – ricos e pobres, crianças, jovens, adultos e idosos de todas as raças e gêneros, sem distinção – mostra que somos todos iguais. Das enfermidades também emana um grande apelo à solidariedade e à fraternidade, dado que escancara a fragilidade e contingência de ser humano, que se vê na necessidade do auxílio do outro. E nas relações constituídas a partir da enfermidade, todos de alguma forma crescem nas atitudes e valores mais excelentes e nobres que podemos alcançar como seres humanos. O sofrer na enfermidade não é destrutivo, ao contrário, fomenta valores edificantes como a solidariedade e a fraternidade.

Nesse sentido, uma passagem da mensagem do Papa aos enfermos desse ano é ilustrativa: “Os lugares onde se sofre são frequentemente espaços de partilha, nos quais nos enriquecemos uns aos outros. Quantas vezes se aprende a esperar à cabeceira de um doente! Quantas vezes se aprende a crer ao lado de quem sofre! Quantas vezes descobrimos o amor inclinando-nos sobre quem tem necessidades! Ou seja, apercebemo-nos de que todos juntos somos “anjos” de esperança, mensageiros de Deus, uns para os outros: doentes, médicos, enfermeiros, familiares, amigos, sacerdotes, religiosos e religiosas. E isto, onde quer que estejamos: nas famílias, nos ambulatórios, nas unidades de cuidados, nos hospitais e nas clínicas.” É importante saber captar a beleza e o alcance destes encontros de graça, e aprender a anotá-los no coração, são como raios de luz, a iluminar na escuridão das provações, e testemunham que o verdadeiro sabor da vida, emerge do amor e na proximidade (Papa Francisco. Mensagem aos Enfermos, 2025.

Sejamos anjos da esperança e mensageiros de Deus aos enfermos e uns aos outros. Eis uma forma de ser sinal de esperança no mundo, conforme apelo deste Ano Jubilar aos seguidores de Jesus Cristo.

Recorramos à intercessão da Virgem de Lourdes, medianeira de abundantes graças para a cura dos enfermos, para os auxílios necessários à recuperação dos nossos doentes. Que Ela interceda pelo êxito dos trabalhos dos médicos, enfermeiros e por adequadas estruturas de saúde para o nosso povo. Que seu afago materno alcance os adoentados por meio dos profissionais da saúde, sacerdotes, religiosos e religiosas, agentes da pastoral da saúde e cuidadores. E São Carlos Borromeu interceda para que pastoral da saúde de nossa Diocese seja expressão de uma Igreja Samaritana.

Dom Luiz Carlos Dias
Bispo diocesano

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