Uma década com Francisco

Em 13 de março de 2013, após a surpreendente renúncia do Papa Bento XVI, ocorre outro fato inesperado: o seu

Em 13 de março de 2013, após a surpreendente renúncia do Papa Bento XVI, ocorre outro fato inesperado: o seu sucessor no pontificado foi escolhido de um país do hemisfério Sul. Um Bispo Argentino formado nas fileiras da Congregação de Jesus (Jesuítas), o Cardeal Mario Jorge Bergoglio. Foi saudado com entusiasmo pelos fiéis que acorreram à Praça de São Pedro e, de outro lado, houve uma busca frenética por informações acerca do eleito.

 

Logo nos dias que sucederam à sua eleição, o novo Papa – de nome Francisco e inspirado pelo pedido de Dom Cláudio Hummes para que não se esquecesse dos pobres – começou a inovar. A começar pela sua residência na Casa Santa Marta, mas também pelas celebrações eucarísticas com homilias diárias pautadas em temas cotidianos da vivência da fé, e a renúncia a certas comodidades e tradições ligadas ao cargo.

 

As principais preocupações e intenções do Papa Francisco não demoraram para vir à tona. Assim, tão logo, começou a ajudar toda a Igreja a compreender de modo prático algumas implicações do Concílio Vaticano II, em especial, a concepção de povo de Deus a serviço da sociedade hodierna, enquanto ‘sal ou fermento’ na massa, em contexto de profundas mudanças antropológicas, sociais e culturais.

 

Francisco não pensou em ‘proteger’ a Igreja ou resguardá-la na ‘sacristia’ por conta de duros embates, ao contrário, procurou impulsionar todos os discípulos e discípulas do Senhor para a missão na sociedade e enfrentamento da realidade, mesmo que se enlameassem ou incorressem em eventuais equívocos. Para tanto, apontou como norte na bússola dos missionários, a direção das periferias geográficas e existenciais, ou seja, os pobres e aquelas pessoas sobre as quais recaem duros sofrimentos.

 

O próprio Papa se fez missionário ao tomar o caminho de várias nações para levar aos povos a Boa Nova de Jesus Cristo. E, cônscio da amplitude de sua missão, cultivou o ecumenismo e estreitou o diálogo inter-religioso, com frutos vistos em celebrações ao lado de líderes religiosos importantes, além do histórico documento “Sobre a Fraternidade Humana em Prol da Paz Mundial e da Convivência Comum”, assinado com o Grão Imame de Al-Azhar.

 

O argumento da fraternidade – ancorado em uma base comum e fonte da mesma dignidade a todas as pessoas, sem distinção de raça, gênero, etc. – tem sido sua linha para atuar também em prol de uma sociedade justa e fraterna, em todas as suas dimensões. Nesse sentido, o Pontífice vem sendo uma voz dissonante e crítica ao atual sistema econômico e político que favorecem a concentração financeira, pulverizam postos de trabalho e impõem recuos na salvaguarda aos trabalhadores.

 

Nesse contexto, os migrantes constantemente se deparam com portas fechadas em muitos países e nas respectivas sociedades. É um fenômeno ilustrativo deste tempo de crise, diante do qual o Papa Francisco se contrapõe, pregando a derrubada de muros e a construção de pontes pelo diálogo sincero. E sempre proativo, ele aponta para a necessidade de terra, teto e trabalho para o ser humano viver com dignidade, assim como, de uma economia fundada na solidariedade, inspirando-se em Francisco de Assis.

 

O empenho do Papa em lançar sementes para um futuro mais condizente com o projeto do Reino de Deus, também passa pela questão ambiental, a qual prestou grande contribuição ao integrar elementos sociais e espirituais a essa reflexão, o que certamente facilita o engajamento no tema e a responsabilidade de todos no cuidado com a Casa Comum, para preservá-la para as gerações posteriores.

 

Por fim, há que se ressaltar e enaltecer a reorganização da estrutura da Santa Sé promovida por Francisco, concedendo primazia à missão, como espaço para as mulheres consagradas ou leigas em funções de relevância. Renovação essa que, na concepção do Pontífice, se completará em todo o corpo eclesial com a sinodalidade, processo que reclama o protagonismo dos fiéis na Igreja, acolhe a diversidade e resguarda a unidade pelo fomento da participação e escuta. A aplicação desse espírito e metodologia deixa para trás o clericalismo.

 

Saudações ao amado Papa Francisco nesta data pelos inestimáveis efeitos de seu pastoreio para a Igreja, como para o caminhar dos povos. E orações com súplicas pela sua saúde e forças, para perseverar até o final de seu Pontificado com a mesma coragem e alegria contagiante, não obstante as dificuldades e desafios. Que a Mãe do Senhor e nossa o proteja!

 

Dom Luiz Carlos Dias

Bispo da Diocese de São Carlos

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