Sidney Prado Maio 6, 2020

Coragem, Deus sempre está conosco!

Coragem, Deus sempre está conosco!

Dom Eduardo Malaspina – Bispo Auxiliar de São Carlos – SP / Foto: Daniel Silva

 

Caros irmãos, queridas irmãs, em tempos de pandemia, em que o isolamento social representa a alternativa mais segura, devemos ter a certeza de que Deus em sua infinita bondade não nos isola. Nossas comunidades, mesmo com todos os problemas, permanecem vivas, assim como a chama da Fé que mantinha os Apóstolos confiantes, no Cenáculo, logo após a crucificação.

 

Não é a primeira vez que a Igreja se encontra confinada. Aliás, se verificarmos nos Atos dos Apóstolos, a Igreja do 1º século nasceu confinada e perseguida pelo domínio do Império Romano. Todas as vezes que a Igreja, enquanto comunidade primitiva, precisou se isolar, ela cresceu e se tornou mais forte. A propagação do Evangelho se estendeu e o testemunho cresceu por toda parte. Voltemos nosso olhar para o exemplo da comunidade pós-pascal, que embora desolados, perseguidos e cansados, “eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações” (Atos 2,42).

 

Às vezes é difícil compreender os desígnios de Deus, principalmente porque fomos acostumados com a frase: “Domingo sem missa, semana sem Graça.” Mas é preciso aproveitar esses momentos para refletir, dedicar-se ao encontro oracional em família, olhar nos olhos dos que nos cercam e que, muitas vezes, nos deixamos afastar pela tecnologia das redes sociais, formando ilhas de pessoas próximas fisicamente, mas distantes do convívio. A graça de Deus também se faz na beleza do interior de cada um, com suas mazelas, suas alegrias e suas tristezas. Talvez o tempo que passamos é o tempo de estreitar laços e ser luz; não para os de fora, mas para os de dentro da nossa casa. Não estamos na Igreja fisicamente, mas estamos participando espiritualmente em comunhão.

 

O que a pandemia também nos ensina, ou melhor, deve nos recordar, é que a concepção do Templo, teologicamente muda de sentido no Novo Testamento. Jesus rompe com a ideia de que a purificação se dá apenas no Templo físico, por meio de rituais de expiação ou de purificação, como de costume no Rito Judaico. Em João 2,19-21, Jesus é o Templo Vivo e, em seu Corpo Místico, habita a unidade dos cristãos; ou seja, a Igreja é cada um daqueles que estão intimamente ligados à pessoa de Jesus Cristo, na qual N´Ele “vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28).

 

Como permanecer íntimos de Jesus Cristo em tempos de Coronavírus? O Papa Francisco no Angelus (domingo no dia 26 de abril, p.p.), nos recorda o seguinte: “No fim de nossas vidas, seremos julgados pelo amor… Jesus virá no final dos tempos para julgar todas as nações, mas vem a nós todos os dias, em muitas maneiras, e nos pede para acolhê-lo. Aquele mendicante, aquele conhecido, aquele encarcerado, aquele doente é Jesus. Pensemos nisto”. Com as palavras do Papa, devemos pensar: quando passar esse tempo provisório, o que posso fazer para ser melhor com o próximo? Julgar menos, ajudar mais, e principalmente, amar mais como Jesus amou.

 

Portanto, estimados irmãos, mesmo que esse tempo seja um tempo de provação, de desemprego, de incerteza quanto ao futuro, saiba que a Igreja sofre junto contigo e está contigo. Nós, os padres, também lamentamos, pois a razão do sacerdócio além de oferecer o sacrifício em favor da comunidade, também é estar juntos com ela, administrando os sacramentos, acompanhando o crescimento da vida paroquial e principalmente sendo instrumentos da graça de Deus. Para confortar nossos corações, termino com as palavras de Jesus: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

 

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