LITURGIA ON LINE: ELIANA – MATÃO, SP. Como podemos dizer que somos imagem e semelhança de Deus? Ele tem corpo como nós ? Como Deus tem olhos, nariz, boca? Como é isso?

Caríssima Eliana,

Deus é puro espírito. Portanto, Ele não tem corpo. E assim Deus não tem nariz, olhos, braços, boca, etc.

Quando a Sagrada Escritura fala da boca de Deus, da mão de Deus, do braço de Deus, ela usa uma linguagem antropomórfica, isto é, humana.

Boca de Deus significa o que Deus diz, revela. Braço e mãos de Deus representam o poder dEle.

Olhos de Deus são o símbolo de sua onisciência. Deus sabe tudo é expressado pela frase: Deus vê tudo.

Deus, sendo espírito, tem apenas Inteligência e Vontade.

Nós somos feitos à imagem de Deus, porque Deus nos fez com inteligência e vontade finitas.

A semelhança com Deus, nós a possuímos, quando não estamos em pecado, e somos santos, pela posse da graça habitual, que nos torna participantes da vida divina, e santos de modo semelhante a Deus, que é santíssimo.

Jesus Cristo só pode dizer a verdade, porque Ele é a Verdade. Jesus Cristo é o Verbo de Deus encarnado. Ele é O Filho de Deus, a Idéia que Deus tem de Si mesmo. Como Deus tem que ter uma Idéia de Si mesmo absolutamente perfeita, Cristo é A imagem do Pai. Portanto quem via a Cristo, via o Pai.

"As qualidades invisíveis de Deus, depois da criação do mundo tornam-se visíveis nas coisas criadas" (Rm I, 20). E lê-se que "Pela grandeza e formosura da criatura se pode visivelmente chegar ao conhecimento de seu criador" (Sab XIII, 5 ).

Ao criar cada ser, Deus teve antes idéia dele e fez cada coisa como reflexo, vestígio, imagem e semelhança de Si mesmo. Assim, ao criar a águia, Deus a fez para representar uma qualidade dEle, e daí é que vem a beleza da águia.

Como Deus é artista perfeito, cada criatura corresponde perfeitamente à idéia que Deus teve dela.

Idéia de águia em Deus       <=>        Águia criada.

Nessa correspondência entre a águia e a idéia que Deus teve dela é que consiste o verum, a verdade da águia.

Quando contemplamos a águia, nós também formamos, em nosso intelecto, uma idéia dela. Quando a idéia que temos de um ser corresponde, de fato, ao que o ser é, temos, então, a verdade.

A verdade é a correspondência objetiva entre a idéia que temos de um ser e ele mesmo.

                   objeto: águia     <=>        idéia de águia no sujeito

Se a águia corresponde à idéia que Deus teve dela (verdade da águia em Deus), e nossa idéia corresponde ao que a águia é (verdade objetiva humana), então, quando temos a verdade de um ser em nosso intelecto, nos unimos à verdade em Deus.

Isto porque duas idéias correspondendo ao mesmo objeto são também correspondentes entre si.

                 Idéia de Deus      <=>        águia      <=>        idéia de águia no homem.

 

Por isso, é a verdade objetiva que nos une à Sabedoria de Deus.

Foi esta Sabedoria de Deus - o Verbo divino, o Filho - que se fez homem, em Jesus Cristo.

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós"

"Et Verbum caro factum est, et habtavit in nobis" (Jo,I,14).

Jesus Cristo é, pois, o Filho de Deus feito homem. NEle há duas naturezas - uma divina e outra humana - mas, uma só pessoa divina: a do Filho, segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Este é o mistério da Encarnação. Mistério, porque está acima da inteligência humana compreender como se dá essa união de duas naturezas em uma só pessoa. É o que se denomina união hipostática, isto é, de uma só pessoa com duas naturezas.

Em Jesus Cristo, há uma só pessoa:  a do Filho

2.a Pessoa da Santíssima Trindade

                1) Natureza divina:                 Inteligência divina

                                                        Vontade divina

                2) Natureza humana: alma: inteligência

                                               vontade

                                               sensibilidade

                                           corpo

Cristo é, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Como Deus, Ele tem Inteligência divina infinita, e vontade divina infinita.

Como homem, Ele se encarnou no seio da Virgem Maria, no tempo. Nasceu, cresceu, viveu, etc.

Como homem, Ele tem natureza humana completa, com corpo e alma.

Daí existirem em Cristo duas inteligências e duas vontades, uma humana e outra divina. Tendo inteligência divina, Ele conhecia até o pensamento dos fariseus, como se lê no Evangelho. Tendo inteligência humana, Ele aprendeu a falar, a ler, etc. Desse modo, foi a Virgem Maria quem ensinou o Verbo de Deus a falar, enquanto homem. Foi ela quem deu palavra humana à Palavra de Deus.

Quando era menino e foi ao Templo, ao discutir com os doutores, Ele fazia perguntas enquanto homem, e os maravilhava com a sabedoria de suas respostas, pois falava então como Deus.

Em Cristo, há também duas vontades: uma divina e outra humana. Porém ambas queriam sempre a mesma coisa. Havia, portanto, uma só vontade moral em Cristo, pois que, se a vontade humana de Cristo contrariasse a vontade divina, isto seria um pecado, o que era impossível para Ele.

No horto das Oliveiras, a vontade humana de Cristo afirmou sua submissão e união moral à Vontade divina quando disse: "Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice; não se faça, contudo, a minha vontade, mas a tua" (Luc. XXII, 42).

Cristo tinha ainda sensibilidade humana. Por isso, o Evangelho conta que Ele chorou no túmulo de Lázaro, pois perdera seu amigo, que Ele amava com amor humano, sensivelmente. Chorou sobre Jerusalém. Irritou-se com os vendilhões, no Templo, e com os fariseus. Alegrou-se com as criancinhas, etc.

Seu corpo era verdadeiro corpo humano. Foi concebido, nasceu, cresceu. Ele tinha fome e teve sede. Cansou-se e sentou-se, por isso, à beira do poço, ao meio dia. Mesmo depois da ressurreição, podia ser tocado em seu corpo, e comeu peixe que os apóstolos haviam assado ao fogo.

Este era Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, e Deus feito homem, cheio de graça e de verdade.

"E nós vimos a sua glória, glória como de (Filho) unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo I,14 ).

Ele é Filho unigênito do Pai, porque Deus não pode ter duas idéias de Si mesmo.

É consubstancial ao Pai, porque a idéia que Deus tem de si, identificando-se com a própria Inteligência divina, é uma só coisa com a sua inteligência. Ele é consubstancial ao Pai, pois a Inteligência de Deus integra a própria Substância de Deus.

"Cheio de graça e de verdade".

Cheio de Verdade, porque sendo o Verbo, Ele é o fundamento de toda verdade. Ele é a Verdade. Por isso, disse:

"Eu sou a Verdade". "Ego sum Veritas".

"Eu sou o caminho,a verdade e a vida". "Ego sum via,et veritas,et vita" (Jo XIV,6 ).

Caminho, porque é o Redentor, o único meio de irmos a Deus.

Caminho, porque é nosso modelo, que sendo por nós imitado, nos leva até Deus.

Caminho, porque é por Ele que nos vem toda a graça, como pelo caminho do caule, toda seiva chega aos ramos.

Verdade, porque é a Idéia de Deus, a Sabedoria de Deus.

Verdade, porque todas as coisas foram feitas por Ele, pelo Verbo, em correspondência perfeita com a idéia que Ele teve de todas as coisas, ao criá-las.

Verdade, porque dEle nos veio a plenitude de Revelação e de Verdade de Deus.

Vida, porque Ele é Deus, Vida absoluta e fonte de vida.

Vida, porque a Vida divina consiste em conhecer-Se e amar-Se.

Vida, porque só com a fé na verdade de Cristo podemos ter a vida da graça.

Cristo, Deus-Homem é o caminho que conduz os homens ao conhecimento da Verdade.

Ele mesmo-Verdade que é a luz dos homens e que lhes possibilita ter vida humana perfeita racional, intelectual, e vida divina pela graça.

"No Verbo estava toda a vida, e a vida era a luz dos homens" (Jo I,4).

"O Verbo era a luz verdadeira" - luz da verdade- "que ilumina todo homem que vem a este mundo" (Jo I,9).

 

Paz e Bem !

Padre Emílio Carlos Mancini.

Liturgia On –Line.

Última atualização (Seg, 29 de Junho de 2009 12:20)