Sagração do Altar da Paróquia Nossa Senhora Aparecida em São Carlos

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1885

Por Seminarista Daniel Martins Andricioli

Uma casa sempre tem grande configuração aos seus moradores. Isto é, quanto mais nobre o morador, mais se enobrece o lugar onde ele vive. Não é à toa que os grandes reis de outrora, considerado até mesmo divindades, tinham erigidos a si grandes e suntuosos palácios. Se, porventura, já a homens se confere tal dignidade nas habitações, quão maior deve ser daquela dedicada a Deus.
É para plena dignificação de um templo que a Santa Igreja faz o Rito chamado de “Dedicação”. A santidade convém à casa de Deus (cf. Sl 93,5). Tal santidade conveniente é manifestação de que a assembleia que se reúne tem ciência de que Deus habita ali. Ora, se alguém entra em uma casa e não conhece seu dono, deve ser preso por invasão de propriedade privada. Também assim devem os fieis saber que Deus habita aquele Templo. Até mesmo Jacó, o patriarca, quando descobriu que Deus habitava em “Luz”, despertando de seu sono, derramou óleo sobre a coluna de pedra para fazê-la casa de Deus (cf. Gn 28,16-22).
Entretanto, é precisa a manifestação desta festa solene onde se dedica uma igreja. Até mesmo na Sagrada Escritura tem-se indícios das dedicações. Judas Macabeu, após purificar o templo de Jerusalém e erigir seu altar, fez com que a festa da dedicação se prolongasse por oito dias (cf. IMc 4,36-59). Já no tempo de Esdras, quando construído o segundo templo, a festa da dedicação durou sete dias e foram sacrificados cem touros, duzentos carneiros e quatrocentos cordeiros (cf. Esd 6,15-18).
Dedicar o templo é também sinal da unidade da Igreja. Não há diferença de Credo, de ritos, de divindades. Dedicar o templo é afirmar que ali só haverá o culto ao único Deus, pelo rito da Santa Igreja Romana. “Assim a Igreja toda aparece como «um povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo»” (LG 4).
Contudo, a importância da dedicação também se dá grandiosamente pelo fato deste edifício ser sinal do povo de Deus — Igreja Santa — que ali se reúne para ouvir à Sua palavra, rezar em comum, frequentar os sacramentos, celebrar a Eucaristia, ser comunidade.
Nessa certeza da necessidade teológica e litúrgica, aos 27/09/2016, dedicou-se a igreja Nossa Senhora Aparecida, da Redenção, na cidade de São Carlos. O templo estava lotado de fieis, advindos de todas as partes, até mesmo de fora da comunidade.
A Santa Missa, presidida pelo bispo diocesano, contou com três grandes momentos que marcaram a dedicação daquele tão estimado templo à Santíssima Trindade. Foram eles: Aspersão, Unção e Incensação do Altar e paredes.
O primeiro, aspersão, quer dizer que a igreja deve ser lugar puro e de purificação. O povo, Igreja do Senhor, por este rito também se lembrou do seu batismo e foi convidado à verdadeira conversão.
O segundo, Unção, não o é à toa. Ele é o rito central e mais importante da Dedicação. O bispo ungiu com o altar com o Santo óleo do Crisma, fazendo cinco cruzes sobre ele, lembrando-nos das chagas gloriosas de Cristo. Em seguida ungiu todo o tampo do Altar, onde se consuma o Sacrifício de Cristo. Faz-se aqui lembrança de que, na liturgia, o Altar é o próprio Cristo. Ele se oferece como vítima, sendo Sacerdote e fazendo-se de Altar. Esse gesto convida a Igreja a se lembrar do caráter de discípulo-missionário adquirido no batismo e confirmado na Crisma.
Por fim, o terceiro, a Incensação, nos lembra da prece da assembleia que sobe ao Senhor. Também recorda Cristo Sacerdote, que se oferece ao Pai. É o Sacrifício que se realiza “Por Ele, com Ele e nEle”.
Sendo assim, a Dedicação da Igreja nos remonta ao caráter de dignidade que deve existir no templo do Senhor e principalmente na Sagrada Liturgia de Seu Santo Sacrifício. Com o intuito de maior dignificação deste Santíssimo Sacramento Eucarístico, nessa cerimônia, Dom Paulo inaugurou a nova capela do Santíssimo, reformada, ampliada e esteticamente moderna.
O pároco, Dr. Pe. Luiz Antenor, empenhou-se grandemente para que aquele que acorresse à capela do Santíssimo lá encontrasse um espírito de oração, um local de aconchego e um convite à adoração permanente.
Por fim, a Liturgia realizada, essencial para plenitude do mistério cristão em determinado templo, muito ensina e catequisa aos paroquianos e pessoas que acorrem à querida igreja. Ao fim da cerimônia Dom Paulo descerrou uma placa comemorativa que expressa à alegria da comunidade nessa importante ação solene e litúrgica. Especial agradecimento à todos os envolvidos.

Confira abaixo alguns momentos da celebração:

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