Presidência da CNBB: canonização dos mártires e encontro com o papa Francisco no Vaticano

Por Sidney Prado – Assessoria de Comunicação da Diocese de São Carlos Com informações da CNBB Fotos: Arquidiocese de Natal/Cacilda

Por Sidney Prado – Assessoria de Comunicação da Diocese de São Carlos

Com informações da CNBB

Fotos:  Arquidiocese de Natal/Cacilda Medeiros

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai se encontrar com o papa Francisco na próxima quinta-feira, dia 19. A visita anual ao Vaticano ainda prevê agenda em alguns Dicastérios da cúria romana e no Colégio Pio-Brasileiro.

Desde o último final de semana a Presidência da CNBB está em Roma, quando participou das celebrações por ocasião da canonização dos protomártires do Brasil, os mártires de Cunhaú e Uruaçu. O arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, presidiu nesta segunda-feira, dia 16, a missa em ação de graças pela canonização na basílica de São Pedro. Também estão presentes o arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente da Conferência, dom Murilo Krieger, e o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral, dom Leonardo Steiner.

Para as cerimônias relacionadas à canonização dos primeiros mártires do território brasileiro, estiveram presentes o arcebispo de Natal (RN), dom Jaime Vieira Rocha, o arcebispo emérito de Aparecida (SP), cardeal Raymundo Damasceno Assis, e alguns bispos do regional Nordeste 2 da CNBB (na foto, da direita para a esquerda): o emérito de Cajazeiras (PB), dom José González Alonso; o de Caicó (RN), dom Antônio Carlos Cruz Santos; o de Afogados da Ingazeira (PE), dom Egídio Bisol; o de Nazaré (PE), dom Francisco de Assis Dantas de Lucena; e o bispo de Mossoró (RN), dom Mariano Manzana.

Agenda em Roma
Nesta terça-feira, a Presidência da CNBB visita a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, cujo prefeito é o cardeal brasileiro dom João Braz de Aviz, e a Congregação para a Doutrina da Fé. Amanhã, a agenda é na Congregação para os Bispos.

Está marcado para quinta-feira o encontro com o papa Francisco. Este será o terceiro desta presidência com o pontífice.

No mesmo dia, acontecerá a visita ao Dicastério para os Leigos, a família e a Vida, cujo secretário é o padre brasileiro Alexandre Awi Mello e o prefeito cardeal Kevin Joseph Farrell.  Também haverá um momento no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, criado recentemente pelo papa. Na sexta-feira, a programação segue na Congregação para o Clero, na Secretaria de Estado e na Comissão para a América Latina.

“Sábado acompanharemos os padres do Colégio Pio Brasileiro que serão recebidos pelo papa”, conta dom Leonardo Steiner sobre o último compromisso marcado para o período da visita.

Celebração em ação de graças

Com a presença de muitos brasileiros, em grande número os potiguares, foi celebrada na Basílica de São Pedro, no altar da cátedra, a missa em ação de graças pela canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu. A Eucaristia presidida pelo cardeal Sergio da Rocha contou com a presença de dom Murilo e dom Leonardo, do cardeal Hummes, e dos bispos do Nordeste 2 que participam das celebrações relacionadas aos protomártires.

Em sua homilia, dom Sergio expressou “sincera gratidão e o agradecimento da Igreja no Brasil” ao papa Francisco e aos que se empenharam no processo de canonização dos Santos Mártires potiguares. Para o presidente da CNBB, os novos santos do Brasil são intercessores e modelos de como seguir a Cristo. Em sua reflexão, o cardeal ressaltou as atitudes dos mártires de fidelidade a Jesus; do amor à Igreja e da perseverança na Igreja; e da fé no Santíssimo Sacramento testemunhada através da participação na Eucaristia e na doação da própria vida.

“Uma comunidade que vive da Eucaristia não reage às ofensas e às perseguições, com violência e vingança. Ao invés disso, continua a celebrar a Eucaristia e a vivê-la, como fez a Igreja naquela região do Brasil, em 1645. É admirável o testemunho da comunidade que, em meio a perseguições, continuou a celebrar a Eucaristia, que é o alimento dos que buscam construir a paz, por meio do amor e do perdão. Esta atitude eucarística dos que foram martirizados no Rio Grande do Norte torna-se ainda mais importante nos dias de hoje, com tantas situações de agressividade e intolerância difundindo-se no Brasil e no mundo”. – Cardeal Sergio da Rocha

Dom Sergio ainda recordou os leigos, que formavam quase que a totalidade dos mártires em Cunhaú e Uruaçu: “O Laicato foi o grão de trigo que se consumiu naquele martírio, juntamente com os sacerdotes. O Laicato continua a ser na Igreja, hoje, o grão de trigo que se consome no dia a dia de nossas comunidades, no serviço pastoral, na evangelização e pelo testemunho cotidiano na família e na sociedade. Os leigos são chamados a santidade e, pela graça de Deus, têm dado testemunho de santidade no passado e no presente da Igreja no Brasil”.

Leia a homilia na íntegra:

HOMILIA – MISSA DOS SANTOS MÁRTIRES
Basílica de S. Pedro – Vaticano – 16.10.17

Queridos irmãos e irmãs, nesta Eucaristia nós expressamos a nossa ação de graças a Deus pela canonização ocorrida ontem. Bendito seja Deus por Santo André de Soveral, por Santo Ambrósio Francisco Ferro e por São Mateus Moreira e seus 27 companheiros mártires. O louvor a Deus, manifestado na Santa Missa da canonização se prolonga entre nós e continua a ecoar nesta Basílica tão amada, no Rio Grande do Norte, e em todo o Brasil.

Juntamente com a nossa ação de graças a Deus, nós expressamos a nossa sincera gratidão e o agradecimento da Igreja no Brasil ao nosso querido Papa Francisco, assim como a todos os que se empenharam no processo de canonização dos Santos Mártires potiguares, especialmente a Arquidiocese de Natal, na pessoa do Sr. Arcebispo, Dom Jaime Vieira Rocha e do vice-postulador da causa Pe. Júlio César. 

Nesta ação de graças, nós somos iluminados pela Palavra de Deus que acabamos de ouvir, e pelos exemplos de nossos Santos Mártires. Eles são, para nós, intercessores e modelos de como seguir a Cristo.  A propósito, gostaria de ressaltar três atitudes, dentre tantas outras que poderiam ser refletidas.

Primeiramente, a fidelidade a Jesus Cristo. A fidelidade é sinal e consequência da fé e se manifesta pelo testemunho. Eles foram testemunhas fiéis. Eles perseveraram na fé até o fim e, na hora da provação, não negaram a Jesus. Conforme ressaltou o Papa Francisco, na homilia da canonização, “eles não disseram sim ao amor apenas com palavras e, por um certo tempo, mas com a vida e até o fim”.

Nossos Mártires estão associados aquela multidão em vestes brancas, da qual fala o Livro do Apocalipse, multidão que trazia palmas na mão, por ter passado pela “grande tribulação “. Na imagem dos nossos Santos Mártires, encontra-se essa palma, representando o martírio sofrido por eles.  Trata-se da palma da vitória de Cristo, da qual eles participam, de modo especial. Os mártires vencem unidos a Cristo e graças a ele. Eles tiveram suas vestes alvejadas no sangue do Cordeiro, que é Jesus Cristo. Assim como eles, nós somos chamados a permanecer fiéis na hora da cruz, perseverando até o fim, confiantes na graça de Deus.

A segunda atitude a ser cultivada por nós, inspirados no exemplo dos nossos Mártires, é o amor a Igreja e a perseverança na Igreja. Viveram e morreram unidos a Igreja. Foram mártires por pertencerem a Igreja.  Quem segue a Jesus, é chamado a participar da comunidade dos discípulos de Cristo, que é a Igreja. Eles nos ensinam a permanecer sempre na Igreja, a valorizar as nossas comunidades, delas participando nas alegrias e nas dores. Jamais abandonar a Igreja. O martírio ocorreu justamente quando eles se encontravam reunidos na Igreja, como Igreja.  Por isso, o testemunho se apresenta, ao mesmo tempo, como testemunho pessoal e comunitário. Foi o que aconteceu em Cunhaú e Uruaçu, onde o martírio assumiu uma especial dimensão comunitária. A comunidade permaneceu unida em oração.  O testemunho comunitário da fé e do amor é ainda mais necessário no mundo de hoje.  

A terceira atitude inspirada no exemplo dos Santos Mártires e no Evangelho é a fé no Santíssimo Sacramento testemunhada através da participação na Eucaristia e na doação da própria vida. Como bem sabemos, o martírio em Cunhaú aconteceu durante a celebração da Eucaristia dominical. “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”  foram as palavras do leigo São Mateus Moreira, enquanto estava sendo martirizado. Esta mesma fé foi compartilhada e testemunhada pelos seus companheiros mártires. A Eucaristia foi a fonte e o sustento da fidelidade e da coragem testemunhadas pelas comunidades de Cunhaú e Uruaçú. Ninguém é santo por conta própria, ninguém permanece fiel contando somente com suas forças.

O Apocalipse nos recorda que aquela multidão tinha suas vestes alvejadas pelo sangue do Cordeiro que é Jesus Cristo.  As palavras de Jesus, que há pouco ouvimos, acontecia de modo admirável na vida dos Santos André, Ambrósio, Mateus e seus 27 companheiros mártires. A Eucaristia se consumava na vida deles, como o “grão de trigo” que cai na terra para produzir frutos. Pelo martírio, eles glorificaram a Deus não somente com os lábios, mas com o coração e a vida.

Uma comunidade que vive da Eucaristia não reage as ofensas e as perseguições, com violência e vingança. Ao invés disso, continua a celebrar a Eucaristia e a vive-la, como fez a Igreja naquela região do Brasil, em 1645. É admirável o testemunho da comunidade que, em meio a perseguições, continuou a celebrar a Eucaristia, que é o alimento dos que buscam construir a paz, por meio do amor e do perdão. Esta atitude eucarística dos que foram martirizados no Rio Grande do Norte torna-se ainda mais importante nos dias de hoje, com tantas situações de agressividade e intolerância difundindo-se no Brasil e no mundo.

Irmãos e irmãs, nós bendizemos a Deus pelo “grão de trigo” representado pelos sacerdotes martirizados e pelos fiéis leigos e leigas, que formavam a quase totalidade dos mártires em Cunhaú e Uruaçu.  O Laicato foi o grão de trigo que se consumiu naquele martírio, juntamente com os sacerdotes. O Laicato continua a ser na Igreja, hoje, o grão de trigo que se consome no dia a dia de nossas comunidades, no serviço pastoral, na evangelização e pelo testemunho cotidiano na família e na sociedade. Os leigos são chamados a santidade e, pela graça de Deus, têm dado testemunho de santidade no passado e no presente da Igreja no Brasil. 

Trata-se da vida doada no dia a dia de nossas comunidades, da vida doada no gesto supremo do martírio, que tem produzido muitos frutos, como o grão de trigo do qual fala o Evangelho. Que o testemunho dos nossos Santos Mártires possa estimular os nossos cristãos leigos e leigas, especialmente no Ano do Laicato, que está para ser iniciado, no Brasil.  Para a superação da crise, vivida no Brasil, necessitamos muito do testemunho corajoso e fiel dos leigos e leigas na vida política, econômica e cultural.

Nesta Eucaristia, supliquemos, confiantes, a intercessão dos Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e seus 27 companheiros mártires, para que a fé em Cristo, o amor ä Igreja e a vivencia da Eucaristia continuem a ser testemunhadas no Brasil, por palavras e pela vida, em nossos templos, nas famílias, e nos diversos ambientes da sociedade.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 

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