Papa Francisco abre campanha mundial voltada a migrantes e refugiados

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Por Sidney Prado – Assessoria de Comunicação da Diocese de São Carlos

Com informações da CNBB

O Papa Francisco lançou oficialmente nesta quarta-feira, 27, a campanha da Caritas Internacional “Compartilhe a viagem”, para promover a acolhida dos migrantes e dos refugiados por meio da partilha das suas esperanças. Foi justamente com um gesto simbólico – os braços abertos – que o Papa fez o lançamento.

Ao final da catequese, o Pontífice recordou que é o próprio Cristo que pede para as pessoas acolherem seus irmãos e irmãs migrantes e refugiados com os braços bem abertos. “Justamente assim – gesticulou o Papa – com os braços bem abertos, prontos a um abraço sincero, afetuoso e envolvente, um pouco como esta colunata da Praça São Pedro, que representa a Igreja mãe que abraça todos na compartilha da viagem comum”.

Pelo twitter, o Santo Padre também impulsionou a campanha utilizando a hashtag oficial “#ShareJourney”: “Compartilhemos sem medo o caminho dos migrantes e dos refugiados. #ShareJourney”, postou hoje em sua conta “@Pontifex_pt”.

Francisco deu as boas-vindas aos refugiados presentes na Praça São Pedro e agradeceu aos agentes da Caritas Internacional pelo empenho para realizar um abaixo-assinado para pedir uma nova lei migratória mais pertinente ao contexto atual.

Na reflexão durante a catequese, que mais uma vez foi dedicada à esperança cristã, Francisco também mencionou a campanha. Ele destacou que a esperança é o impulso para “partilhar a viagem” da vida. “Irmãos, não tenhamos medo de partilhar a viagem! Não tenhamos medo de compartilhar a esperança!”, disse.

A esperança, conforme explicou o Papa, é um impulso no coração tanto de quem parte em busca de uma vida melhor quanto de quem acolhe essas pessoas. “A esperança é o impulso no coração de quem parte deixando a casa, a terra, às vezes familiares e parentes, para buscar uma vida melhor, mais digna para si e para os próprios familiares”, mas é também “ o impulso no coração de quem acolhe, o desejo de encontrar-se, de conhecer-se, de dialogar”.

Em carta divulgada na época do anúncio da campanha, o presidente da Caritas Internacional, Cardeal Luis Antônio Tagle, explicou que a proposta da Caritas é contribuir para que a sociedade compreenda as razões que levam tantas pessoas a deixar a própria casa, o país de origem, neste momento da história.

“Também queremos inspirar as comunidades a estabelecer relações com os refugiados e imigrantes. A imigração é uma história muito antiga, mas nossa campanha tem o objetivo de ajudar as comunidades a enxergá-la com novos olhos e com um coração aberto”, acrescentou o cardeal.

 

Twitter/reprodução

 

A iniciativa
Com duração prevista para dois anos (2017-2019), a campanha deve envolver toda a Rede Cáritas na resposta ao apelo do Papa Francisco para abraçar a “cultura do encontro” e fazendo uma proposta positiva diante da realidade atual na vida de imigrantes e refugiados.

De acordo com a Cáritas, as pessoas serão encorajadas a refletir, aproximando imigrantes, refugiados e comunidades com o objetivo de mudar corações e mentalidades: “Esperamos que a campanha global de conscientização seja uma oportunidade para ampliar a compreensão a respeito dos porquês do trânsito de milhares de imigrantes em suas viagens, desconstruir mitos e compreender quem realmente são os imigrantes, quem somos como comunidades e como uma família global através do aumento da empatia e compreensão”.

Embaixador

Cáritas/divulgação

No Brasil, foi escolhido como embaixador da campanha o Cristo Redentor, cujo santuário receberá a cerimônia de abertura nesta quarta-feira, às 15h, com as presenças do arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani João Tempesta, do secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, membros da Cáritas Brasileira e de entidades que atuam junto a imigrantes e refugiados.

O ícone no alto do morro do Corcovado, na capital fluminense expressa a mensagem e a convocação para a acolhida de imigrantes e refugiados, uma vez que é um ícone religioso e cultural reconhecido no Brasil e no mundo inteiro. “Nele todos os brasileiros, imigrantes e refugiados certamente se reconhecem”, afirma a Cáritas.

Imigração e refúgio
A realidade da migração, que recebe atenção especial do papa Francisco, afeta cerca de 230 milhões de pessoas que atualmente vivem fora dos seus países de origem, no caso dos migrantes internacionais. São fatores políticos, econômicos e até desastres ambientais relacionados a estes deslocamentos. Somente no primeiro semestre de 2016, 3,2 milhões de pessoas foram forçadas a sair de seus locais de residência devido a conflitos ou a perseguições. Destas, 1,5 milhão são refugiadas ou solicitantes de refúgio. Os dados são do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

No Brasil recebeu milhares de pessoas de 82 nacionalidades nos últimos anos, parte delas já tive sua condição de refugiadas reconhecida. Desde o início do conflito na Síria, 3.772 pessoas desse país solicitaram refúgio por aqui. Nos últimos meses, houve crescente número de solicitação de refúgio por cidadãos da Venezuela: apenas em 2016, 3.375 venezuelanos solicitaram refúgio no Brasil, número que representa cerca de 33% das solicitações registradas no ano passado.

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