O DIA DA MULHER E A MULHER NO TEMPO

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Por Padre Mauro Odoríssio – CP

Pelo que são, pelo que fazem e pelo como fazem, as mulheres não merecem um dia, mas todos os dias do ano. Mesmo assim, jamais seriam justamente saldadas. Agora, em especial comunhão com a Diocese que a celebra, eu vejo na eternidade, no profundo do coração trinitário: Deus quis precisar de uma Mulher – MARIA – para a concretização da história salvífica: “Quando chegou a PLENITUDE DO TEMPO, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma MULHER” (Gl 4,4). E em Maria é possível ver cada mulher.

Ante a magnitude do mistério vislumbrado, Paulo se torna silente, respeitosamente contemplativo. É quando as “vozes que se alevantam” silenciam para que as mentes e, mais ainda, os corações viagem à humílima Nazaré. Uma adolescente, acolhedora da Palavra, se sente convidada a colaborar com o querer divino, pois chegara a “plenitude do tempo”.

Antes do fato histórico, urge viajar para o âmago da eternidade na qual não existe o passado e o futuro, puras categorias mentais. Eles são engolfados pelo presente sem limites no qual está Deus que é o amor. Ele amou Maria, não porque era bela, mas porque por ele amada, ela ficou a embelezada. Quando nasceu, conscientemente ou não, deram-lhe o nome MARIA. Ele vem do verbo hebraico “rum” (exaltar, elevar) que, com prefixo M e o implícito nome de Deus, comum na nomenclatura judaica, e passa a significar: “Deus eleva, Deus exalta”.

Em consonância com o que foi dito, na anunciação, Deus, pelo anjo, a chama de “chekaritomene”, a agraciada, a embelezada (Lc 2,28). Semanas mais tarde foi a vez do Espírito Santo, santificador e embelezador, por meio de Isabel proclamá-la “Euloghermene”, a “Bendita entre as mulheres, a embelezada por dentro” (Lc 1,42). É digno de considerar que, no mesmo versículo, tanto Maria como Jesus são chamados igualmente de benditos.

Compreende-se como Paulo, acostumado a navegar em águas profundas, mede as palavras ao falar do mistério da encarnação: “Chegando a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho nascido de uma MULHER” (Gl 4,4). O versículo é de ser lido de joelhos. Antes da concretização do mistério, Maria era noiva, ou melhor dizendo, “propriedade” de José e fora escolhida para ser a Mãe do esperado Redentor. Ao dizer SIM às solicitações do alto ela corria a probabilidade de morrer apedrejada (Dt 22,23-24). Mas com a generosidade feminina que mais pensa nos outros do que em si, Maria disse “SIM”, como serva do Senhor e em benefício da humanidade (Lc 1,26-38).

Inegavelmente, a cultura universal tem sido injusta com as mulheres que sempre viveram em ambiente machista. Nela surgiu a Bíblia. Mas, ao falar do homem diz que ele era terreno (adam), por ser originário da terra: adamah, em hebraico. Contudo, ele recebeu algo do “constitutivo “ de Deus, o “ruah”, o espírito divino; tornou-se humano “divinizado”. Assim mesmo, era incompleto no paraíso. Do “lado dele” (melhor do que da costela) Deus formou a mulher que lhe seria a “outra tu mesmo” que caminhariam nno amor e na mesma dignidade. É esta a luz que nos traz o verbo hebraico “tsela´” que indicam partes formando um todo harmonioso (Ex 37,17; 1Rs 6,34).

É enriquecedor descobrir como, ao lado dos grandes líderes judaicos, há sempre uma mulher “estéril”, desconsideradas então. Mas se tornaram forçura, máxime nos momentos históricos mais críticos: assim, a mãe Sara, de Abraão, a mãe de Moisés, a de Samuel, sem falar em Maria e Isabel. Deus escolhe os “pequenos” para confundir os poderosos.

Felicitá-las é um mínimo incompleto. O dia a elas dedicado, pede reflexão, pede tomada de posição, amor e fraternidade. Ninguém melhor do que as mulheres para que o mundo fique mais fraterno. Que o Senhor abençoe a todas.

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