Em homilia, Papa fala da realidade da morte: encontro com o Senhor

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A morte será o encontro com o Senhor, destacou o Papa na homilia de hoje / Foto: Rádio Vaticano

Da Redação, com Rádio Vaticano

Refletir sobre o fim do mundo e também sobre o fim de cada um: é o convite que a Igreja faz através do trecho evangélico de Lucas, comentado pelo Papa Francisco na homilia da missa desta sexta-feira, 17, na Casa Santa Marta.

O trecho narra a vida normal dos homens e mulheres antes do dilúvio universal e nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, se casavam, mas depois, como um trovão, chega o dia da manifestação do Filho do homem e as coisas mudam.

A Igreja, que é mãe, disse o Papa, quer que cada um pense em sua própria morte. Ele explicou que todos estão acostumados à normalidade da vida: horários, compromissos, trabalho, momentos de descanso e pensam que será sempre assim. Mas um dia, Jesus chamará e dirá: ‘Vem!’ Para alguns, este chamado será repentino, para outros, virá depois de uma longa doença, não se sabe, advertiu o Pontífice.

No entanto, repetiu o Papa, o chamado virá e será uma surpresa, mas depois, virá ainda outra surpresa do Senhor: a vida eterna. Por isso, a Igreja, nestes dias, convida a parar e pensar na morte. O Papa Francisco descreveu o que acontece normalmente: até participar do velório ou ir ao cemitério, se torna um evento social. Vai-se, fala-se com os outros e em alguns casos, até se come e se bebe: “É uma reunião a mais, para não pensar”.

“E hoje a Igreja, hoje o Senhor, com aquela bondade que é sua, diz a cada um de nós: ‘Pare, pare, nem todos os dias serão assim. Não se acostume como se esta fosse a eternidade. Haverá um dia em que você será levado e o outro ficará, você será levado’. É ir com o Senhor, pensar que a nossa vida terá fim. Isto faz bem”.

Isto faz bem – explicou o Papa – diante do início de um novo dia de trabalho, por exemplo, se pode pensar: ‘Hoje talvez será o último dia, não sei, mas farei bem meu trabalho’. E o mesmo nas relações de família ou quando se vai ao médico.

“Pensar na morte não é uma fantasia ruim, é uma realidade. Se é feia ou não feia, depende de mim, como eu a penso, mas que ela chegará, chegará. E ali será o encontro com o Senhor, esta será a beleza da morte, será o encontro com o Senhor, será Ele a vir ao seu encontro, será Ele a dizer: ‘Venha, venha, abençoado do meu Pai, venha comigo’”.

E ao chamado do Senhor não haverá mais tempo para resolver as coisas. Francisco relatou, nesse ponto, o que um sacerdote lhe disse recentemente: “Dias atrás encontrei um sacerdote, 65 anos mais ou menos, e ele tinha algo que não estava bem, ele não se sentia bem … Ele foi ao médico que lhe disse: ‘Mas olhe – isso depois da visita – o senhor tem isso, e isso é algo ruim, mas talvez tenhamos tempo para detê-lo, nós faremos isso, se não parar, faremos isso e, se não parar, começaremos a caminhar e eu vou acompanhá-lo até o fim’. Muito bom aquele médico”.

Assim, o Papa exortou cada um a se fazer acompanhar neste caminho, a fazer de tudo, mas sempre olhando para lá, para o dia em que “o Senhor virá me buscar para ir com Ele”.

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