E as vidas ficam diferentes

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Por Padre Eduardo Malaspina. Chanceler do Bispado e Jornalista.

“…E AS VIDAS FICAM DIFERENTES”

A celebração de Finados é marcada pela saudade e pela esperança, à luz da Páscoa de Cristo Jesus. Fazemos passar pelo nosso coração o que fizeram, o que disseram, suas esperanças e alegrias. Enfim, as lutas enfrentadas pelos que nos precederam no seguimento de Jesus. Se você foi a um cemitério, pode participar de muitas coisas bonitas e profundas.
Viu muitas pessoas colocando velas na sepultura dos seus ou no cruzeiro. Com essas velas, as pessoas estão dizendo: “… Faz anos que você morreu, mas sua luz não se apagou. Ainda hoje você ilumina minha vida! Guardo seu exemplo e ensinamento como uma luz. Eu não te esqueço, assim como você nunca me esqueceu.”
As velas acesas lembram que a luz dos falecidos não se apagou. Estamos no mundo para fazer um trabalho de luz e não de trevas. Vamos aos cemitérios para bem-dizer, falar bem e não para maldizer ou falar mal. A luz da fé reacende a chama dos corações. Ao acender velas, todos buscam a iluminação interior. E para os nossos mortos, já brilha a luz da face do Senhor! Por isso, as velas que acendemos é símbolo da Luz eterna, que é Cristo Ressuscitado. Símbolo da nossa fé e esperança no nosso destino final.
Você viu pessoas colocando flores nas sepulturas. Nós plantamos os mortos como sementes de eternidade. Regamos com lágrimas, na certeza de que vão florir no jardim do Senhor. A flor é símbolo de ressurreição. Quem leva flores afirma sua fé na ressurreição. Cada um de nós recebe de Deus dons especiais. Durante a vida, cultivamos esses dons. Eles florescem e perfumam os irmãos e irmãs.
Hoje você entende porque a Igreja católica é o jardim perfumado do Senhor. Ela não condena, mas ama e acolhe seus filhos. A Igreja católica não está nos cemitérios para ameaçar ou amedrontar, mas para lembrar a infinita misericórdia de Deus, para cada um de nós.
Você viu pessoas rezando. Famílias reunidas. Ao visitar o cemitério, honramos a memória de nossos falecidos. Eles nos antecederam na passagem para Deus: amigos e amigas, pai, mãe, avós, esposo, esposa e até filhos e filhas. A visita ao túmulo é feita em clima de respeito e oração.
No Dia de Finados, os católicos não festejam a morte, mas a certeza da ressurreição. Em cada cruz e sepultura não vemos a morte, mas a imagem da Páscoa cristã, promessa da Vida Eterna. Nós, cristãos, acreditamos que a morte não é um fim, mas um peregrinar para Deus. Como diz um teólogo, não é um diluir-se na poeira cósmica, mas um cair nos braços do Pai de infinita bondade. Para nós, que cremos, a morte perde seu caráter brutal e se transfigura numa passagem para a plenitude da vida em Deus.
Hoje, aqueles que nos precederam, estão sutilmente nos dizendo: “Eu me aparto de vocês como pessoa, mas o meu coração ficará com vocês! Eu não deixei o mundo, eu entrei no mundo”! Nós acreditamos naquilo que o poeta cubano José Marti expressa de forma melódica e poética: “Morrer é fechar os olhos para ver melhor!”
Hoje, a Igreja diz a todos, uma palavra de esperança. Não é palavra humana, ela vem de Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14, 2) e “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11,25). Ou em outro momento, “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). A nossa fé está baseada na Ressurreição de Cristo, na sua vitória sobre a morte. Cremos que, após a nossa morte, a vida não nos é tirada, mas transformada no Amor de Deus. Ele morreu da nossa morte para que nós não morramos sozinhos, mas morramos com Ele e como Ele, que venceu a morte!
Para nós, cristãos, a morte, que era como uma caverna escura, sem saída, tornou-se um túnel, cujo final é luminoso. Isto mesmo: Cristo arrombou as portas da morte! Ela tornou-se apenas uma passagem, um caminho para a nossa Páscoa, nossa passagem deste mundo para o Pai: “Ainda que eu passe pelo vale da morte, nenhum mal temerei, porque está comigo”! Em Cristo a morte pode ser enfrentada e vencida! Certamente ela continua dolorosa, ela nos desrespeita; mas se no dia a dia aprendermos a viver unidos a Cristo e a vivenciar as pequenas mortes de cada momento, em comunhão com Senhor que venceu a morte, a morte final será um “adormecer em Cristo”.

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