Bispos participam da homenagem aos 50 anos de encerramento do Concílio Vaticano II

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Uma sessão solene ecumênica em homenagem aos 50 anos de encerramento do Concílio Vaticano II marcou as atividades da 53ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no final da tarde de sexta-feira, 17. A cerimônia foi presidida pelo arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência, cardeal Raymundo Damasceno Assis.

Além de dom Damasceno, compuseram a mesa o núncio apostólico, dom Giovanni D´Aniello; o arcebispo emérito da Paraíba (PB) e padre conciliar, dom José Maria Pires; o arcebispo de São Paulo (SP) e presidente do grupo de trabalho para as comemorações do cinquentenário do Concílio, cardeal Odilo Pedro Scherer; o presidente da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religiosos da CNBB, dom Francisco Biasin.

Também integraram a mesa o presidente e a secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), dom Flávio Irala e pastora Romi Bencke;  o vice sinodal do Sínodo do Sudeste da Igreja Luterana no Brasil, pastor Ernani Röpke; o primaz da Igreja anglicana no Brasil, dom Francisco de Assis Silva; a diretora geral da Coordenadoria Ecumênica de Serviço, reverenda Sonia Gomes; os representantes da Comunidade Carisma, pastor Rui Rodrigues e pastor Álvaro Paluci; o representante da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, reverendo Tércio Paulo de Almeida; o bispo auxiliar da Igreja Ortodoxa Antioquina, dom Romanós Daoud; e o representante da Igreja Antioquina no Movimento Ecumênico, padre Gregório Teodoro.

Ecumenismo, sonho de João XXIII

A sessão foi aberta com o discurso do presidente da Comissão para o Ecumenismo da CNBB, dom Francisco Biasin, que expressou o contentamento dos bispos com a presença de seus irmãos de outras denominações cristãs. “No primeiro documento conciliar diz que o Concílio se reuniu para oferecer tudo que possa contribuir com a união dos que creem em Cristo. Era o sonho do saudoso papa João XXIII convocar a reunião”, contou.

Segundo dom Biasin, a reunião conciliar abriu novos horizontes entre as igrejas e outras religiões.  “Não seria possível para nós, bispos da Igreja, comemorar a data sem a presença de vocês. Faltaria algo essencial aos objetivos do Concílio”, acrescentou.

O bispo reforçou que a presença dos irmãos de outras religiões “é a garantia de que os anos foram frutuosos, que as sementes foram lançadas e que vale a pena construir pontes de diálogo a fim de que a oração de Jesus, aos poucos, atravesse os esforços para que o amor fraterno aconteça”.

Maior acontecimento da Igreja no século XX

O arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno, contou aos presentes que o papa Francisco irá presidir, em dezembro, uma celebração comemorativa ao cinquentenário do encerramento do Concílio, com a abertura do Ano Santo da Misericórdia. “Não queremos nos antecipar ao papa, mas como não podemos nos reunir nesta data, a CNBB inseriu a sessão especial na programação desta 53ª assembleia”, explicou.

“Celebramos o aniversário do maior acontecimento da Igreja no século XX, de cuja vitalidade continuamos a receber iluminação e inspiração. Sua repercussão desencadeou grandes mudanças no interior da Igreja e, ao mesmo tempo, fomentou a construção de novas expressões sociais”, disse.

O cardeal retomou ainda as palavras do papa Bento XVI. “O papa João Paulo II indicou o Concílio como ‘bússola’ com a qual orientar-se no vasto oceano do terceiro milênio. Também no seu testamento espiritual, ele anotava: ‘Estou convencido que ainda será concedido às novas gerações haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos concedeu’”, recordou.

O presidente do Conic, dom Flávio Irala, lembrou que “os resultados desse Concílio se estenderam ao mundo inteiro, aos cristãos católicos romanos e aos de muitas outras denominações cristãs”. Desejou que “seus documentos, que permanecem atuais e desafiadores, continuem inspirando, iluminando a caminhada e aproxime e fortaleça ainda mais na unidade sonhada por todos”.

Experiência pessoal conciliar

O bispo emérito de Lorena (SP) e membro do grupo de trabalho sobre o Concílio da CNBB, dom Benedito Beni dos Santos, relatou aos presentes sua experiência pessoal conciliar. O bispo estava em Roma quando a reunião foi convocada por João XXIII e surpreendeu toda a Igreja.

“Penso que o contexto mundial e eclesial nos ajudam a compreender as razões para a convocação, os objetivos e ensinamentos do Concílio. Havia um movimento de independência de diversos países africanos e asiáticos, um processo acelerado de urbanização e invenção da TV, fazendo emergir um mundo pluralista. A grande questão então era: como a Igreja iria se posicionar diante dessa nova realidade. Eclesiasticamente, iniciava as discussões sobre o laicato, do movimento bíblico e litúrgico e o ecumenismo dava seus primeiros passos”, detalhou.

Dom Benedito frisou ainda que o Concílio não é apenas uma assembleia de bispos, mas “uma grande assembleia litúrgica, em que toda igreja se coloca em oração e reflexão para ouvir o que o espírito santo diz à própria Igreja, sendo, portanto, o espírito santo o protagonista principal do Concílio Ecumênico”.

Sobre os dias atuais, disse que, apesar da mudança de época, “o Concílio Vaticano II continua presente não só na memória, mas na vida da Igreja”.

Frutos do Concílio

O presidente do grupo de trabalho para as comemorações do cinquentenário conciliar, cardeal Odilo Pedro Scherer, apresentou os frutos do Concílio. “Os primeiros frutos foram o próprio clima novo de interesse, entusiasmo e confiança despertado na Igreja, o entrosamento do episcopado e sua comunhão com o Sucessor de Pedro”, disse.

Dom Odilo também citou o Sínodo e os documentos conciliares como grandes tesouros. “O Concílio também já suscitou frutos apreciáveis no ecumenismo. Um dos propósitos do início da reunião, nas palavras de papa são João XXIII, era a busca da unidade da Igreja de Cristo. Muito já se avançou nesses 50 anos, embora ainda reste um longo caminho a percorrer. Houve igualmente um esforço significativo no diálogo com as religiões não cristãs”, relatou.

“É inegável que o sopro renovador do Espírito Santo levou a uma grande transformação na vida da Igreja, em todos os seus aspectos: na liturgia, na teologia, na organização pastoral, na catequese, na formação do povo de Deus e de seus ministros. Na hermenêutica da continuidade, e não da ruptura, a recepção e aplicação do Concílio vão suscitando vitalidade nova na Igreja”, concluiu.

A sessão solene encerrou com a oração do Pai Nosso Ecumênica.

Fonte: Website CNBB

Crédito das fotos: CNBB

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